Formação | Curso Saúde e Bem Viver (SBV) é destaque no Congrepics por impactos na saúde mental e nas Pics no SUS
O Saúde e Bem Viver – cuidado integral para a saúde mental, formação voltada à integralidade do cuidado, à promoção da saúde mental e ao fortalecimento das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) no Sistema Único de Saúde (SUS), foi um dos temas abordados no 5º Congresso Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Congrepics), realizado de 6 a 9 de maio, em Salvador (BA). O projeto, coordenado nacionalmente pelo ObservaPICS em 17 estados das cinco regiões do país, foi apresentado ao público desde sua elaboração até o encerramento com as mostras de projetos de intervenção nos estados. Três médicos da delegação do Ministério da Saúde de Angola acompanharam esse momento com o objetivo de conhecer modelos de humanização e integração das Pics ao sistema de saúde público.
Os presentes também conheceram os resultados da avaliação e monitoramento do curso, que ouviu estudantes, tutores e coordenadores, além de acompanharem relatos sobre os impactos da experiência na vida pessoal e profissional dos participantes.
“O projeto, iniciado em 2024, foi ofertado aos profissionais das equipes de saúde da família e equipes multiprofissionais integrantes da Atenção Primária à Saúde (APS). Sua construção contou com a participação de referências técnicas estaduais em Pics e representantes das escolas de governo em saúde pública estaduais, em uma oficina de três dias em Pernambuco. Ao longo do processo foi discutido coletivamente questões pedagógicas e de articulação político-institucional para implementação do projeto nos territórios”, explica Flávia Reis, da equipe pedagógica do projeto.
A definição dos três momentos do curso (“Cuidar de si”, “Viver em equipe” e “Agir no território”), as principais características dos projetos de intervenção (PIs), a aplicação das Pics como ferramentas de cuidado em saúde mental e a execução do curso por escolas de saúde estiveram entre outros pontos discutidos.
“O Saúde e Bem Viver impactou imensamente o processo formativo dos estudantes. Em diversas rodas de conversa, eles relataram um divisor de águas entre o antes e o depois do curso. O olhar para si, para a equipe e para o território como espaço potente foi fundamental para essa mudança de perspectiva e de prática. A formação teve impacto direto na vida das pessoas, que passaram a se cuidar mais, realizar atividades, buscar formação em Pics e procurar terapeutas integrativos no próprio território. Espero que ocorram novas edições do curso porque precisamos formar trabalhadores com essa nova perspectiva”, declarou Cláudia de Castro, que atuou como tutora no Mato Grosso.
A fala de Cláudia vai ao encontro do relatório parcial de avaliação da primeira oferta do Saúde e Bem Viver, que envolveu os estados do Acre, Maranhão, Paraíba, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, apresentado no congresso. De acordo com o documento, na análise da dimensão mudança de práticas, o curso demonstrou impacto significativo na atuação profissional e pessoal dos participantes. O módulo “Cuidar de Si” apareceu como o componente mais transformador, promovendo autocuidado, melhoria das relações de equipe, cuidado mais humanizado e ampliação do uso das Pics nos serviços de saúde. Muitos participantes relataram mudanças concretas em seus territórios, com a implantação de práticas como meditação, auriculoterapia, grupos terapêuticos e ações de comunicação não violenta.
A avaliação utilizou métodos quantitativos e qualitativos, e analisou também outras três dimensões do curso: governança e gestão, ensino-aprendizagem e sustentabilidade. Foram ouvidos 16 coordenadores pedagógicos e de articulação territorial (100%), 68 dos 80 tutores (85%) e cerca de 20% dos 2.120 estudantes matriculados. A avaliação utilizou questionários online e grupos focais com coordenadores e tutores do curso.
Trabalhos
O estudo coordenado pela pesquisadora do ObservaPICS e da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz) Patrícia Pássaro foi assunto de um dos 16 trabalhos apresentados sobre o Saúde e Bem Viver – cuidado integral para a saúde mental, no 5º Congresso Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde.
As apresentações, realizadas por estudantes, tutores, coordenadores da formação e gestores estaduais, contemplaram experiências dos estados de Mato Grosso do Sul, Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Amazonas, Mato Grosso e Pernambuco, tratando sobre reflexão dos processos de trabalho nas equipes, a promoção do bem viver nos territórios, a implementação de projetos de Pics na APS, a governança e articulação territorial, a saúde mental dos trabalhadores da saúde, a formação em cuidado integral e a valorização dos saberes tradicionais.


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