Formação | Saúde e Bem Viver inova formação no cuidado integral

A segunda oferta do curso Saúde e Bem Viver – Cuidado integral para a saúde mental, coordenado nacionalmente pelo ObservaPICS, caminha para seu encerramento após a conclusão das atividades em oito estados — Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Pernambuco, Piauí e Mato Grosso. Em São Paulo, o ciclo formativo terminará com duas mostras de projetos de intervenção (PIs), programadas para abril e maio de 2026, marcando a conclusão de uma iniciativa voltada ao fortalecimento do cuidado integral na Atenção Primária à Saúde (APS). A proposta articula as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) a outros modelos de intervenção que ampliam o olhar para além da abordagem biomédica.

A formação é uma iniciativa do Núcleo Técnico de Gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (NTG-PNPIC), do Ministério da Saúde, e alcançou, nas duas ofertas, 17 estados brasileiros. A primeira contemplou Acre, Maranhão, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nesta segunda oferta, nove estados reuniram 2.432 estudantes, de 494 municípios, acompanhados por 92 tutores, que atuaram como docentes em uma formação de 120 horas/aula. Somadas as duas edições, o curso totaliza 4.018 participantes, 846 municípios, 172 tutores e mais de 720 Projetos de Intervenção (PIs) — número que ainda será ampliado com os trabalhos de São Paulo.

Os PIs correspondem ao trabalho de conclusão do curso e são desenvolvidos na terceira etapa, “Agir no território”, quando equipes realizam análise crítica do cuidado em saúde em seus contextos e elaboram propostas para qualificar a assistência, considerando experiências práticas, reflexões teóricas e características sociais, demográficas e culturais locais. Essa etapa sucede “Cuidar de si” e “Agir em equipe”, momentos que estruturam a formação ao integrar autocuidado, trabalho coletivo e transformação das práticas no território.

Assim como na primeira edição, as mostras de projetos ocorreram de forma presencial e on-line e contaram com a participação de integrantes do ObservaPICS. Da equipe pedagógica do Saúde e Bem Viver, Flávia Reis acompanhou três delas (Alagoas, Ceará/Fortaleza e Piauí) e destacou a qualidade das apresentações. Segundo ela, a organização temática das salas, como ocorreu em Fortaleza, favoreceu a integração entre participantes a partir das realidades vividas em seus territórios, fortalecendo o debate e a troca de experiências.

Flávia ressaltou ainda a diversidade de práticas integrativas presentes nos projetos e sua conexão com problemas reais de saúde, evidenciando as Pics como ferramentas de produção de cuidado. Outro aspecto recorrente, já observado na primeira oferta, foi o curso como espaço de cuidado para os próprios trabalhadores da saúde, especialmente no estímulo ao autocuidado, dimensão pouco contemplada em formações tradicionais.

Pesquisadora do ObservaPICS e da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), Inês Reis participou da mostra do Espírito Santo, realizada em dezembro, com cerca de 200 participantes. Ela enfatizou o ambiente acolhedor do evento, que valorizou o cuidado com os profissionais e a cultura local, com iniciativas como o Cantinho do Descanso — com auriculoterapia, reiki, musicoterapia e aquarela — e a participação de um grupo de Congo no encerramento.

Também chamou atenção para a criatividade e diversidade das práticas desenvolvidas durante o curso, incluindo auriculoterapia, fitoterapia, horta medicinal e Terapia Comunitária Integrativa (TCI), além de tecnologias leves voltadas à promoção da saúde e ao fortalecimento das relações de trabalho. “O Bingar, um jogo de bingo para promoção da saúde mental (direcionado para mães de crianças neurodivergentes); a Rotela da Saúde, com um espelho no centro para pessoa se ver quando lesse o que a roleta apontava após ser girada; o Círculo das Relações em que davam visibilidade ao que achavam que estava desgastado, em construção e saudável nas relações de trabalho. E teve a Árvore dos Bons Sentimentos, onde a equipe escrevia o que sentia, facilitando o entrosamento e empatia; dentre outras apresentações”, relatou Inês.

Para a coordenadora pedagógica do Saúde e Bem Viver no Espírito Santo, Fabíola Bersot, a formação possibilitou o resgate do autocuidado e proporcionou uma experiência potente de articulação entre formação, serviço e território. De acordo com ela, o curso favoreceu a aproximação entre profissionais alinhados a uma abordagem que reconhece o ser humano em sua integralidade, fortalecendo práticas de cuidado mais sensíveis, colaborativas e centradas na vida cotidiana da Atenção Primária.

“Ao longo de duas ofertas, o Saúde e Bem Viver consolidou uma estratégia de formação voltada à qualificação do cuidado na APS, com foco na integralidade, na valorização dos saberes e na ampliação das Pics nos territórios. Ao articular formação, serviço e comunidade, a iniciativa deixa como legado projetos, experiências e redes de cuidado que seguem em desenvolvimento nos municípios participantes, reforçando a aposta em modelos de atenção mais humanizados, colaborativos e centrados nas necessidades reais da população”, avalia a coordenadora do ObservaPICS/Fiocruz, a pesquisadora Islândia Carvalho.

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