Ciência | Profissionais da Atenção Primária do SUS dispostos ao autocuidado
O ObservaPICS está registrando a opinião dos atores envolvidos na formação do Saúde e Bem Viver para avaliar a aplicação do curso e tentar mensurar o impacto nos alunos, tutores e coordenadores. A pesquisa se dá por meio de formulário estruturado eletrônico. A amostra de estudantes das turmas dos oito estados iniciantes apontou, por exemplo, que 39% afirmaram despertar para o autocuidado ao aderir às aulas.
“Esse despertar foi a manifestação mais apontada pelos alunos, que são profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS). Isso revela mudanças de natureza interna e pessoal promovidas pelo curso”, avalia Patrícia Pássaro, pesquisadora colaboradora do Observatório que coordena a avaliação do Saúde e Bem Viver.
Segundo ela, os dados mostram que “para 39% dos estudantes, o curso funcionou como um alerta, despertando a consciência de que, para serem profissionais de saúde eficazes, precisam primeiro cuidar de si mesmos”. O “cuidar de quem cuida” tornou-se um mantra, escreve Patrícia no relatório com os primeiros resultados do levantamento.
Para a pesquisadora, “a mudança não se refere apenas a práticas esporádicas, mas a uma reorganização fundamental de prioridades, onde o bem-estar físico e mental do profissional é visto como a base indispensável para a sustentabilidade de sua prática e para a qualidade do cuidado ofertado ao outro.”
Melhoria no SUS
Outro ponto de destaque revelado pela pesquisa foi a percepção dos estudantes quanto a sua preparação, após a realização do curso, para ajudar a melhorar os serviços de saúde na região em que trabalham.
“Nada menos que 92% sentem-se aptos a contribuir de forma efetiva após a conclusão do curso. Indica que a formação foi bem-sucedida em seu objetivo de capacitar e empoderar os profissionais. Sentir-se preparado é um pré-requisito fundamental para a ação”, observa Patrícia.
Ela acredita que, ao fornecer aproximação com as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics), exercitar a comunicação não violenta e possibilitar a oportunidade aos trabalhadores do SUS de propor modos de intervenção para melhorar a saúde individual e a dos colegas, o curso despertou a legitimidade e a segurança para sugerir inovações em seus ambientes de trabalho.
Uma pequena porcentagem de estudantes (7%) disse se sentir “pouco preparado” ou “não preparado” (1%). “Sugere que, embora o curso seja uma ferramenta poderosa, a implementação de melhorias no serviço de saúde não depende apenas da capacitação individual. Esses estudantes podem estar enfrentando barreiras sistêmicas significativas em seus locais de trabalho, como falta de apoio da gestão, cultura de equipe resistente à mudança ou escassez de recursos, que os fazem sentir que, apesar do conhecimento adquirido, suas chances de contribuir efetivamente são limitadas”, indica o relatório da pesquisa.
Esse primeiro levantamento foi realizado em agosto de 2025 e obteve a participação de 20% dos estudantes que concluíram o curso. Eles responderam também sobre os conteúdos estudados, a proposta pedagógica e os desafios para a realizar a formação, como administrar o tempo e conciliar com a rotina de trabalho. Foram questionados acerca de barreiras tecnológicas como dificuldade de acesso à plataforma do curso e à internet, por exemplo, apoio da gestão e dos colegas de trabalho, e quanto às atividades presenciais. O relatório com todos os resultados será publicado em breve pelo ObservaPICS.