A partir desta quarta-feira (6/5), o ObservaPICS passa a se chamar Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais e Integrativas de Cuidado em Saúde. A atualização do nome, com a substituição de “Complementar” por “Cuidado”, expressa um amadurecimento conceitual ancorado em referenciais teóricos que concebem o cuidado como uma categoria reconstrutiva e como práxis que valoriza o diálogo, a escuta e a experiência singular do adoecimento. A atualização se faz necessária após quase oito anos de atuação, pesquisas, debates e articulações com instituições, profissionais, usuários, comunidades e redes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mais do que uma alteração formal, a mudança busca evidenciar que as práticas tradicionais e integrativas não devem ser compreendidas apenas como recursos adicionais ao modelo biomédico. Elas integram modos diversos de produzir saúde, mobilizando escuta, vínculo, saberes tradicionais, experiências comunitárias, práticas corporais, terapêuticas e formas de atenção voltadas à integralidade da vida. A atualização do nome está sendo apresentada no 5o Congresso Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Congrepics), que se realiza até dia 9 de maio em Salvador (BA).
“Queremos destacar os sentidos e significados das práticas integrativas e da saúde integral. O cuidado está na linha de frente quando uma prática promove saúde, previne o adoecimento ou seu agravamento, fortalece vínculos, amplia a autonomia, estimula o autocuidado e ajuda as pessoas a pensarem sobre si, sobre seu corpo, sua saúde mental, emocional, social e territorial”, explica a pesquisadora da Fiocruz Pernambuco, Islândia Carvalho, coordenadora do ObservaPICS.
No Brasil, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC) reconhece institucionalmente 29 práticas no SUS. O Observatório, ao adotar o termo “cuidado” em seu nome, reforça a necessidade de ampliar a reflexão sobre como essas práticas contribuem para uma atenção mais integral, participativa e sensível aos contextos de vida das pessoas e comunidades.
“Esse reconhecimento é fundamental, mas precisamos seguir aprofundando o debate. A questão não é apenas listar práticas, mas compreender como elas produzem cuidado: quando favorecem a escuta, o vínculo, a troca em grupo, o autocuidado, a autonomia, a saúde da comunidade e a relação com o território”, argumenta Islândia Carvalho.
FIOCRUZ – Vinculado à Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) da Fiocruz, o Observatório desenvolve pesquisas, produz e compartilha informações e articula apoio técnico à rede SUS na implantação, no acompanhamento e no monitoramento das práticas integrativas e tradicionais de cuidado em saúde.
O Observatório também atua em perspectiva continental, como colaborador da Opas/OMS, com foco nos conhecimentos em saúde de povos tradicionais e nas práticas integrativas das Américas e do Caribe. No Brasil, desenvolve estudos e articulações com comunidades indígenas e de matriz africana, contribuindo para o diálogo entre esses grupos, suas formas de cuidado e as políticas públicas de saúde.
Todo o conteúdo desenvolvido pelo Observatório ou gerado a partir de suas atividades está em acesso aberto no Repositório Arca Dados da Fiocruz, além de estar disponível em seu site e redes sociais. Plataformas, mapas interativos e produções audiovisuais complementam a divulgação de informações em textos, dados e indicadores, ampliando o acesso público ao conhecimento produzido no campo dos saberes e práticas tradicionais e integrativas de cuidado em saúde.
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