Ciência | Um caminho metodológico para as Pics
Daniel Amado, gestor no Núcleo Técnico de Gestão da PNPIC do Departamento de Prevenção e Promoção da Saúde da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde (DEPPROS/SAPS/MS), analisa o andamento do Projeto Saúde e Bem Viver, conduzido pelo ObservaPics/VPAAPS/Fiocruz
Boletim Evidências – Como avalia os resultados do Saúde e Bem Viver na Atenção Primária?
DANIEL AMADO – Através dos relatos compartilhados nas mostras de experiências estaduais do Bem Viver, ficou claro o potencial do projeto em transformar a realidade do trabalho em saúde, reconhecidamente adoecedora para os profissionais. O projeto atua fornecendo ferramentas que capacitam o profissional a ressignificar sua relação: consigo mesmo (priorizando o autocuidado), com a equipe e com o território. Dessa maneira, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) contribuem ativamente para a construção de um novo modelo de cuidado e de relações no âmbito da saúde. Com mais de 3,5 mil profissionais de saúde envolvidos em 800 municípios de 17 estados, o projeto gera impacto territorial e mobiliza gestores municipais e estaduais para implementar as Pics.
Boletim Evidências – Acredita num incremento de Pics nos municípios que tiveram equipes participando do curso Saúde e Bem Viver?
DANIEL AMADO – A gente tem visto nas mostras vários relatos dos profissionais de como eles têm ampliado e aplicado as Pics no cotidiano, além da mobilização dos gestores municipais e estaduais para fortalecimento e apoio, inclusive com a validação da Fiocruz para implementação. O MS só deverá fazer esse levantamento da melhora da oferta ao término do ano quando poderá comparar dados por diferentes períodos.
Boletim Evidências – A partir dos resultados, o que o Ministério da Saúde pretende fazer?
DANIEL AMADO – A apresentação dos resultados preliminares ao Ministério da Saúde evidenciou a viabilidade de replicar o projeto nos demais estados e ampliá-lo para municípios e equipes não participantes. Essa análise subsidia a avaliação da disponibilidade orçamentária e da priorização estratégica pela gestão.
Boletim Evidências – Por que o cuidado integral deve começar pelos profissionais de saúde quando se promove saúde mental no SUS?
DANIEL AMADO – Para profissionais de saúde que muitas vezes operam dentro de um paradigma biomédico, o projeto oferece modelo de cuidado integral: a partir de metodologias ativas e Pics que promovem um cuidado menos medicalizante e mais participativo. A reflexão baseada na própria vivência prática do profissional tem um impacto transformador maior do que abordagens teóricas. Isto é particularmente relevante quando se considera o contexto de adoecimento desses profissionais, que também demandam cuidado.