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A coordenadora do Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS), Islândia Carvalho, participa a partir desta terça-feira (7/05) do Congresso Internacional de Pesquisa em Medicina Complementar (ICCMR 2019), em Brisbane (Austrália). Na sexta-feira (10/05) ela fará conferência sobre a experiência brasileira com a implantação das práticas integrativas no SUS, abordando estratégias e desafios da pesquisa sobre o tema. Islândia também coordena o Grupo de Pesquisa em Saberes e Práticas da Saúde da Fiocruz Pernambuco.

O ICCMR 2019 reúne pesquisadores do mundo todo e vai debater durante uma semana caminhos e colaborações entre a experiência clínica e a pesquisa científica. No Brasil são 29 práticas integrativas e complementares (PICS) reconhecidas pelo Ministério da Saúde, “assim consideradas pelo amplo conjunto de abordagens e visão abrangente do ser humano e dos processos de doença”, explica Islândia Carvalho (foto de Bruno Leite/ObservaPICS). Esse conjunto inclui experiências de cuidado de outros países assimilados pela cultura local, como os sistemas médicos complexos da medicina tradicional chinesa (acupuntura, tai chi chuan), homeopatia, ayurveda e da medicina antroposófica, como também modalidades brasileiras, como a terapia comunitária integrativa e o uso de plantas medicinais, acrescenta a pesquisadora.  Nesse universo estão ainda a quiropraxia, osteopatia, massagens, meditação, bioenergética, entre outras.

Segundo Islândia Carvalho, o banco de dados do Ministério da Saúde já fornece informações importantes para estudos analíticos em torno das PICS, mas são predominantemente quantitativas. “Nosso desafio é transformar resultados individuais em evidências científicas”, avalia, defendendo aprimoramento constante da informação em saúde, para avaliação da qualidade, e a ampliação da parceria entre pesquisadores. Com isso, acredita, será possível expandir o conhecimento e assessorar o sistema de saúde para que amplie o modelo de cuidado, sendo mais integrativo e efetivo.

O ObservaPICS, ligado à presidência da Fundação Oswaldo Cruz e com secretaria regional sediada na Fiocruz-PE, nasceu justamente com a missão de agregar o conhecimento gerado na experiência prática dos serviços de saúde e nas análises produzidas por pesquisadores, para assessorar gestores do SUS na implantação e monitoramento da política de práticas integrativas e complementares.

Custo-efetividade

No mesmo ICCMR 2019, a doutoranda em saúde pública pela Fiocruz Pernambuco Camila Maria Ferreira de Aquino apresentará estudos sobre custo-efetividade de unidades de saúde especializadas em PICS no Recife e em João Pessoa. O evento é organizado pelo Endeavor College of Natural Health, a principal instituição de medicina natural da Austrália, e pela Sociedade Internacional para Pesquisa em Medicina Complementar.