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Pedro Crepaldi Carlessi (foto abaixo/divulgação), autor do Mapeamento da fitoterapia no SUS: dos itinerários do fazer às alianças do saber, desenvolvido para o projeto Repare com apoio e coordenação do ObservaPICS, explica nesta entrevista os objetivos e métodos do estudo, iniciado em 2020, que abrange da produção à dispensação de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos. O trabalho, realizado com consulta a dados do Ministério da Saúde e a gestores, incluiu visita de campo a territórios de quatro municípios do Maranhão (foto acima), Jardinópolis (SP) e São Bento do Sul (SC). Carlessi é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e investigador visitante no Departamento de Antropologia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, farmacêutico e mestre em Ciências.

 

 OBSERVAPICS –   Qual o objetivo da pesquisa e qual sua importância nesse momento de 15 anos das Políticas Nacionais de Plantas Medicinais e de PICS ?

PEDRO CARLESSINessa pesquisa partimos de dados secundários, fornecidos pelo Ministério da Saúde, e procuramos identificar e caracterizar os serviços públicos de saúde do território nacional relacionados com a oferta de fitoterapia em seus diferentes arranjos organizativos. Ao entrar em contato com serviços de saúde, secretarias e coordenações regionais de fitoterapia e PICS em todo país, pudemos levantar um vasto material, que ficará aberto e disponível para consulta no site do ObservaPICS. Dessa maneira o trabalho permite orientar o olhar crítico para os rumos trilhados no decurso da institucionalização da PNPMF e PNPIC e também abre espaço para novas análises, leituras e discussões. É uma forma de olhar para os 15 anos passados pensando nos 15 anos futuros.

OBSERVAPICS –  Qual o universo trabalhado no Mapeamento da fitoterapia no SUS?

PEDRO CARLESSI – Partimos de um inventário contendo 509 municípios, previamente identificados pelo Departamento de Atenção Básica e pelo Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde. A esses, somamos contatos espontâneos e autorreferidos durante a pesquisa. No total, integram a análise 555 municípios. Esse número representa cerca de 10% do total de municípios do Brasil. Desses, foi possível caracterizar com detalhes 456 através de entrevistas estruturadas e semiestruturadas com os responsáveis técnicos. Experiências de territórios em São Paulo, no Maranhão e em Santa Catarina foram visitadas presencialmente.

OBSERVAPICS – O estudo descreve diferentes serviços que lidam com plantas medicinais no SUS, caracterizando a natureza jurídica, o vínculo profissional, o que oferecem e se há valorização de saberes ancestrais de povos tradicionais no cultivo e uso. Por que considerar esses aspectos?

PEDRO CARLESSIEssas questões vieram dos próprios trabalhadores e gestores de saúde. Desde 2018 tenho acompanhado a rede de serviços relacionada com a oferta de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos no SUS. Pela característica itinerante do meu trabalho, ao visitar, conversar e conhecer diferentes serviços do território nacional, essas perguntas me eram constantemente feitas pelos colegas que conhecia em campo, que viam na minha mobilidade uma possibilidade de troca e partilha de informações. Antes de dar início a esse projeto, pelo ObservaPICS convidamos a rede de fitoterapia que atua no SUS para apresentar a proposta de estudo e o roteiro de perguntas que nos norteariam. Nessa reunião aberta foi possível construir e validar as questões coletivamente.