Por meio  de um questionário on-line, a pesquisa Uso de Práticas Integrativas e Complementares no contexto da Covid-19 (PICCovid), iniciada no dia 25 de agosto, teve seu prazo ampliado em todo o Brasil. Considerado o maior estudo realizado com a temática em território nacional, estará recebendo respostas até o final de novembro, para abranger um recorte mais diversificado das cinco regiões do país. Os pesquisadores esperam que os resultados da investigação contribuam para fortalecer a rede de pesquisa multidisciplinar sobre PICS, trazendo à luz evidências sobre padrões de utilização das diferentes práticas que possam contribuir para avaliação e qualificação da política pública.

Até o momento mais de 10 mil brasileiros responderam às perguntas sobre sua rotina durante a pandemia, uso ou não de práticas como meditação, yoga, fitoterapia ou outras nesta fase de convivência e enfrentamento ao Covid-19. Coordenada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict) da Fiocruz, numa parceria com a Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Unifase) e o ObservaPICS/Fiocruz, a pesquisa está sendo aplicada à população em geral.

“Com a ampliação do prazo da pesquisa, pretendemos captar mais respostas das faixas masculinas e das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste, onde vem sendo feita uma nova divulgação da pesquisa”, explica o coordenador do estudo, Cristiano Siqueira Boccolini, pesquisador em saúde pública do Laboratório de Informação em Saúde (LIS/Icict).

SUPORTE COMPLEMENTAR NO SUS

Recursos preventivos e terapêuticos, acupuntura, meditação, yoga, homeopatia, musicoterapia, plantas medicinais, reiki, entre outras, auxiliam, no SUS, na promoção da saúde ou  integradas a  tratamentos existentes. Na rede pública, o uso das PICS é orientado geralmente para situações de estresse, no restabelecimento do bem-estar físico e emocional, sem substituição aos protocolos definidos pela comunidade cientifica para tratamento da Covid-19 e outras doenças. Desde o início da pandemia e o isolamento social provocado por ela, há mais de sete meses, tem havido relatos sobre utilização das práticas integrativas como suporte à qualidade de vida, forma de autocuidado para equilíbrio mental e emocional.

O estudo pretende esclarecer se o uso das PICS está associado ao tratamento de sintomas da Covid-19, de doença crônica, ou como forma de autocuidado, observa Patrícia de Moraes Mello Boccolini, professora da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Unifase). O trabalho conta com a  colaboração de Islândia Carvalho, coordenadora do ObservaPICS e pesquisadora da Fiocruz Pernambuco. “Este estudo deve desenhar um panorama sobre as PICS na perspectiva dos usuários, vinculados ou não ao Sistema Único de Saúde. É importante entender o comportamento da população e em qual contexto de vida e de saúde elas recorrem às práticas integrativas. Essas informações ajudarão numa análise da adesão ao autocuidado, mas, sobretudo, deverão auxiliar a avaliação e definição de políticas públicas para uma saúde integral”, explica Islândia.

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