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O II Congresso Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CongrePICS) e o IV Encontro Nordestino de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICSNE) vão reunir mais de dois mil profissionais de saúde e pesquisadores em Lagarto (Sergipe) de 14 a 17 de novembro. O ObservaPICS estará presente nos eventos, discutindo, entre vários assuntos, a efetividade e a evidência de terapias como acupuntura, homeopatia, fitoterapia e outros cuidados integrativos oferecidos no SUS.

As PICS estão reconhecidas no SUS desde 2006. Ao todo são 29 modalidades oferecidas de forma integrada ou complementar a terapias convencionais na rede pública, em diferentes municípios brasileiros, principalmente em serviços da atenção primária. Auxiliam no alívio de sintomas, controle de doenças crônicas, tratamento e prevenção de sofrimento emocional e mental, reduzindo o uso excessivo de medicamentos e, consequentemente, seus efeitos adversos. A ampliação das políticas públicas nesse campo é crescente no mundo, orientada inclusive pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Durante os eventos vamos discutir as políticas públicas baseadas em evidência e a necessidade de alargar a discussão acerca disso, como se constroem metodologias que possam ser apropriadas pelos gestores”, explica a pesquisadora da Fiocruz-PE Islândia Carvalho, doutora em saúde pública e coordenadora-executiva do ObservaPICS. “É preciso debater também como as pesquisas podem fomentar as políticas de saúde e, ao mesmo tempo, fortalecer os mecanismos de transferência dos conhecimentos gerados pela ciência para apoiar o SUS, tendo em vista o direito à saúde e a emancipação cidadã”, completa a pesquisadora, lembrando a importância de refletir sobre a produção de informações e evidências que fomentem a tomada de decisão em saúde.

Mapeamento no diretório do CNPq

Também durante o II CongrePICS, o ObservaPICS estará apresentando dados do mapeamento que vem realizando no diretório do CNPq para identificar os grupos brasileiros que pesquisam sobre práticas integrativas. Numa primeira etapa selecionou 494, de diferentes campos das ciências, utilizando descritores de pesquisa afins da temática, predominando entres eles o foco em plantas medicinais.

A segunda fase do levantamento vai indicar quem de fato estuda as práticas. O observatório promove ainda uma escuta com gestores estaduais, para verificar os temas de interesse na área e disponibiliza conteúdo diverso na internet, por meio do site www.observapics.fiocruz.br e do Boletim Evidências, disponível na mesma página. Também tem estabelecido cooperações na rede SUS.

Programação

A coordenadora do ObservaPICS estará na mesa Gestão de Políticas e Evidências nas PICS, programada para às 11h da sexta-feira (15/11), quando irá debater a problematização de critérios para inclusão ou exclusão de PICS no SUS. Com ela estarão Carmen Verônica Mendes Abdala (BVS/MTCI e OPAS) e Mariana Cabral Schveitzer (Unesp/Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa), sob a mediação de Bernardo Coutinho (Universidade Federal do Ceará).

O CongrePICS será aberto uma hora antes, com a conferência Solidariedade, democracia e saúde: contribuições das PICS, da pesquisadora Madel Terezinha Luz, uma das principais pensadoras da saúde pública no Brasil, professora aposentada das Universidades Estadual e Federal do Rio de Janeiro, ex-coordenadora do GT Abrasco de Racionalidades em Saúde e consultora do ObservaPICS.

Com o tema Evidências para um cuidado solidário e integral no SUS, o congresso e o encontro nordestino têm programação extensa, na Universidade Federal de Sergipe (campus Lagarto), para abordar as vivências dos profissionais de saúde e terapeutas, como também a produção científica das universidades, o diálogo com saberes tradicionais, a formação em práticas integrativas e a educação popular em saúde. No dia 14 serão realizados minicursos e reuniões de trabalho.

As conferências, mesas redondas e plenárias estão programadas para os dias 15, 16 e 17 de novembro. Ao todo serão mais de 50 atividades, entre minicursos, oficinas, debates, conferências, reuniões e demonstrações práticas numa tenda de cuidados.

Para Islândia Carvalho, além de reunir num mesmo momento e espaço profissionais da prática, gestores e pesquisadores em torno de uma grande discussão e troca de saberes em torno das PICS, o II Congrepics e o IV PICSNE devem fortalecer o debate acerca do direito à saúde e os princípios do SUS. O congresso inova com inscrições gratuitas e realização no interior de Sergipe, fora dos grandes centros.