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No ano em que as Políticas Nacionais de Plantas Medicinais (PNPMF) e de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC) completam 15 anos, o Observatório Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS) disponibiliza, com dados abertos, resultados de pesquisa sobre serviços de fitoterapia no Sistema Único de Saúde, da produção à dispensação de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos. O Mapeamento da fitoterapia no SUS, realizado pelo pesquisador Pedro Crepaldi Carlessi com apoio e coordenação do observatório da Fiocruz, abrange 555 municípios no território nacional e oferece informações sobre a forma como os serviços são organizados, se agregam cultivo, manipulação, beneficiamento, observando também a aproximação com a agricultura familiar e a valorização de saberes tradicionais e populares das comunidades atendidas.

Os primeiros produtos do Mapeamento da fitoterapia no SUS estão sendo divulgados num novo espaço do site do ObservaPICS: a página do projeto Repare, iniciado em 2020 para agregar e compartilhar saberes em plantas medicinais, agroecologia e redes de cuidado. Nessa seção, o leitor encontra informações sobre os objetivos e ações da iniciativa, acesso a banco de dados das pesquisas relacionadas, notícias, análises e conteúdos acerca de políticas e boas práticas de produção e uso de plantas medicinais.

 

“O Repare tem como base dar apoio à gestão do SUS, aos profissionais e agricultores envolvidos com plantas medicinais. Mas do que fazer um mapeamento, como fizemos agora sobre os serviços de fitoterapia, queremos ser uma plataforma de articulação entre gestores da saúde pública, pesquisadores e agricultores. Todos os dados ficarão abertos, em formato de planilhas e mapas interativos, como estamos fazendo com estudos sobre outros temas”, explica a pesquisadora Islândia Carvalho, coordenadora do ObservaPICS.

A iniciativa, segundo Islândia, articula-se com parceiros do observatório e da agroecologia. “A partir do nosso site, o leitor interessado no tema, os profissionais do SUS, pesquisadores e os agricultores também poderão ter acesso a diferentes projetos sobre a temática, acessando mais informações e, com isso, gerando maior possibilidade de interação”, completa. A palavra “repare”, que dá nome ao projeto, foi escolhida pelo significado duplo de convidar para a observação e de restaurar, no sentido de fortalecer a interconexão entre saberes e políticas de saúde e de agroecologia. A escolha ocorreu na primeira reunião do grupo formado por pesquisadores, profissionais de saúde e gestores do SUS que deu origem à proposta.

FITOTERÁPICOS

Sobre os serviços de fitoterapia, Pedro Carlessi (foto abaixo/divulgação) compartilha o banco de dados formado no decorrer da pesquisa, relatos e registros fotográficos do seu trabalho de campo, mais um mapa interativo de distribuição geográfica das experiências com plantas medicinais na rede SUS. Em breve estará  publicando um relatório com análises desse mapeamento.

“Ao entrar em contato com serviços de saúde, secretarias e coordenações regionais de fitoterapia e PICS em todo país, levantamos vasto material, que ficará aberto e disponível para consulta no site do ObservaPICS. Dessa maneira o trabalho permite orientar o olhar crítico para os rumos trilhados no decurso da institucionalização da PNPMF e PNPIC e também abre espaço para novas análises, leituras e discussões. É uma forma de olhar para os 15 anos passados pensando nos 15 anos futuros”, esclarece Pedro Carlessi em entrevista sobre os objetivos e métodos utilizados no mapeamento.

FARMÁCIA VIVA

Na página do Repare, o leitor pode acessar também, na íntegra, em formato PDF, as Políticas Nacionais de Plantas Medicinais e de PICS. Ainda em 2021 será lançado um manual de implantação de Farmácias Vivas tipo I, o segundo produto que integra o projeto Repare. A publicação é assinada por pesquisadores do Laboratório de Práticas Alternativas Complementares e Integrativas em Saúde da Universidade Estadual de Campinas (Lapacis/Unicamp), de São Paulo, em parceria com o ObservaPICS.

Outro projeto parceiro é o ArticulaFito– Cadeias de Valor em Plantas Medicinais, iniciativa conjunta da Fundação Oswaldo Cruz e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O uso de plantas medicinais e de fitoterápicos é uma das práticas integrativas mais comuns entre os brasileiros, mostrou a pesquisa PICCovid, realizada numa parceria entre o Icict/Fiocruz, o ObservaPICS/Fiocruz e a FMP/Unifase, divulgada em agosto deste ano. Do universo ouvido durante o segundo semestre de 2020, no primeiro ano da pandemia de Covid-19, 28,2% disseram fazer uso de plantas com fins terapêuticos. A meditação também se apresentou com a mesma adesão, dentre as 29 práticas integrativas e complementares reconhecidas pelo SUS.

Um olhar crítico para os 15 anos das políticas de plantas medicinais e de PICS