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“É necessário reconhecer os saberes locais e as potências do território para a construção de uma política de cuidado que valorize a multiculturalidade”, defendeu a pesquisadora da unidade da Fundação Oswaldo Cruz em Pernambuco Islândia Carvalho (foto), durante o 13º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que ocorre esta semana em Salvador (BA). Coordenadora do Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS/Fiocruz), ela foi uma das palestrantes na mesa redonda “Os saberes tradicionais e populares e as PICS”, realizada terça-feira (22/11). O Abrascão 2022, organizado pela Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) tem como tema principal “Saúde é democracia: diversidade, equidade e justiça social”.

Durante a apresentação, Islândia Carvalho também enfatizou a importância do conhecimento dos povos originários na construção de uma sociedade solidária e sustentável, onde o conceito de saúde vai muito além da ausência de doenças. “Os diálogos com os saberes tradicionais ampliam as nossas perspectivas de ideia de mundo, no qual colonizamos a natureza. Precisamos entender que somos natureza, não estamos separados dela. Todo mal à natureza é um mal em nós. Precisamos descolonizar ideias, conceitos e práticas a partir de nós mesmos”, argumentou.

Nelson Filice  (Unicamp-SP), Islândia Carvalho (coordenadora do ObservaPICS/Fiocruz), a liderança indígena Ubiraci Silva Matos, da Aldeia Pataxó Coroa Vermelha (BA), a professora da UERJ Fátima Ribeiro (GT Abrasco Racionalidades Médicas e PICS) e o consultor em políticas públicas Daniel Amado (RedePICS Brasil) em mesa redonda no Abrascão 2022.

Nelson Filice (Unicamp-SP), Islândia Carvalho (ObservaPICS/Fiocruz), Ubiraci Silva Matos (Aldeia Pataxó Coroa Vermelha-BA), Fátima Ribeiro (GT Abrasco Racionalidades Médicas e PICS) e Daniel Amado (RedePICS Brasil) em mesa redonda no Abrascão 2022.

O debate sobre os saberes tradicionais, populares e as práticas integrativas em saúde foi mediado pela professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Fátima Ribeiro, do GT Abrasco de Racionalidades Médicas e PICS. Além de Islândia, participaram como palestrantes o pesquisador Nelson Filice de Barros, coordenador do Laboratório de Práticas Alternativas, Complementares e Integrativas em Saúde (Lapacis), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP), o consultor em políticas públicas de saúde Daniel Amado, da Rede de Atores Sociais em PICS (RedePICS Brasil), e o indígena Ubiraci Silva Matos, da Aldeia Pataxó Coroa Vermelha (BA), detentor de saber tradicional do seu povo, educador e massoterapeuta.

No Brasil, o SUS engloba um subsistema de saúde indígena, com algumas experiências de diálogo entre a biomedicina e os saberes tradicionais, e conta com uma Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que reconhece 29 modalidades de cuidado, dentre elas a fitoterapia, a acupuntura, a massoterapia, a meditação e a yoga.

MAIS PICS NO CONGRESSO

Durante o 13º Congresso da Abrasco a apresentação de trabalhos e os debates em torno das PICS ocorrem em diversos momentos. Nesta quarta-feira (23/11), a pesquisadora Carine Nied, colaboradora do ObservaPICS, apresentou resultados de um projeto do Observatório com gestores estaduais das práticas integrativas.

O ObservaPICS foi criado em 2018 e desde então promove reflexões, estimula estudos e articulações entre o campo científico e de práticas no SUS. Produz e compartilha conhecimento através de canais na internet e de outras publicações disponíveis no Repositório Arca Dados da Fiocruz.

 

 

Congresso da Abrasco discute as PICS e saberes tradicionais