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A comunidade mundial de usuários, profissionais de saúde e estudiosos que defendem as medicinas tradicionais e as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) iniciaram um movimento pela saúde integral e centrada na pessoa, com a colaboração entre os sistemas biomédicos, práticas de povos tradicionais e PICS. Lançaram a Declaração dos Povos para Cuidados de Saúde Tradicionais, Complementares e Integrativos (TCIH), que vem recebendo apoio individual e de diferentes organizações do planeta.

“Os cuidados de saúde que queremos consideram a pessoa como um todo, são participativos, respeitam as escolhas individuais bem como a diversidade cultural e integram a experiência clínica e os valores do paciente com a melhor informação científica disponível. O pleno acesso aos cuidados de saúde tradicionais, complementares e integrativos deve fazer parte do direito à saúde”, diz o documento.

A Declaração TCIH, disponível na internet em diferentes idiomas, foi elaborada por 12 entidades, entre grupos de pesquisadores, associações de profissionais e de usuários das PICS e das medicinas tradicionais. Participam dessa promoção a Academia de Saúde e Medicina Integrativa (AIHM-EUA), Universidade de Medicina Chinesa e Farmacologia de Pequim, Centro de Medicina Chinesa Baseada em Evidências também de Pequim,  EUROCAM, Federação Europeia de Associações de Pacientes Homeopáticos, Federação Internacional de Associações Médicas Antroposóficas (IVAA), Centro Nacional de Medicina Naturopática da Southern Cross University (Austrália), Rede MTCI Américas, Fórum Mundial de Medicina Integrada, Federação Mundial de Naturopatia e a Rede de Atores em PICS (Rede PICS Brasil).

O ObservaPICS/Fiocruz é uma das 80 organizações que manifestaram apoio à Declaração TCIH até o momento. Entre as entidades brasileiras, também estão  Associação Médica Homeopática Brasileira, a Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas, a Associação Brasileira de Naturologia e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), além das Universidades do Vale do Rio São Francisco (Univasf), da Bahia (UFBA) e a do Estado da Bahia (UESBA) . Além delas, mais de 1200 pessoas de diferentes países se tornaram signatárias da Declaração TCIH até hoje.

 AUTOCUIDADO E INFORMAÇÃO SEGURA

De acordo com a Declaração TCIH, a integração desejada deve considerar “a pessoa em sua totalidade, incluindo as dimensões física, mental, social e espiritual”, com atenção  centrada no paciente, ênfase no autocuidado e na promoção da saúde.

As terapias devem ser baseadas em evidência, integrando a experiência clínica e os valores do usuário com as melhores informações científicas disponíveis, defende o documento. O respeito à diversidade cultural e a diferenças regionais, integrando ao mesmo tempo à saúde coletiva e planetária, é outra premissa do manifesto. Prevê a utilização de recursos naturais e sustentáveis, apoiando as práticas tradicionais, complementares e biomédicas de forma solidária e colaborativa.

O movimento aprecia os benefícios da medicina convencional e da biomedicina, mas lembra as limitações do modelo biomédico, centrado na doença, com opções terapêuticas insuficientes, especialmente para enfermos crônicos, portadores de doenças não transmissíveis (DCNT). Outra limitação da biomedicina seriam os efeitos colaterais de tratamentos medicamentosos e o aumento da resistência a antibióticos, assim como a fragmentação dos cuidados devido ao excesso de especializações.

Os signatários declaram ainda o desejo de “assegurar o pleno acesso à atenção em saúde tradicional, complementar e integrativa como parte do direito à saúde para todos; promover sua inclusão nos sistemas nacionais de saúde; certificar os profissionais de saúde desse campo de acordo com as normas de formação internacional visando assegurar cuidados de alta qualidade; garantir o acesso seguro aos medicamentos através de vias regulatórias específicas; financiar pesquisas sobre saúde tradicional, complementar e integrativa, assim como divulgar informação confiável sobre o tema ao público”. Ainda defendem a ação colaborativa entre as diversas profissões da saúde e “assegurar junto aos meios de comunicação a elaboração de matérias precisas e honestas sobre a atenção em saúde tradicional, complementar e integrativa”.