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A pesquisa Mapeamento de fitoterapia no SUS, dos itinerários do saber às alianças do fazer, produzida sob coordenação do Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICS), será apresentada e debatida nesta quinta-feira (18/11) na Faculdade de Farmácia da Universidade de Sevilha (Espanha). O pesquisador Pedro Carlessi, autor do mapeamento, é um dos convidados da agenda de estudos sobre recursos naturais da instituição.

“Vamos conversar com professores e alunos da faculdade sobre como a fitoterapia no sistema público de saúde brasileiro tem produzido caminhos para a reconstrução dos cuidados e da assistência farmacêutica”, observa Carlessi (foto).

Segundo ele, serão apresentados como a fitoterapia se distribui no território nacional, as relações de trabalho existentes nos diferentes arranjos organizativos,  e as articulações dos serviços de saúde com os saberes locais e as comunidades onde estão inseridos.

 

Agentes de saúde e comunidade em espaço de cultivo de plantas medicinais no Maranhão/ Foto de Pedro Carlessi/ObservaPICS

 

O estudo, realizado entre agosto de 2020 e abril de 2021, aponta  uma nova forma de atenção farmacêutica no SUS, levando em conta os cuidados com a terra, recursos hídricos e com a geração de trabalho e renda comunitária, a pluralidade de saberes e paridade de direitos.  Realidade em 35% dos municípios brasileiros, a produção de fitoterápicos vai das hortas e ervanários à produção de xaropes, tinturas e outras apresentações. Uma proporção menor, de 25%, dedica-se exclusivamente ao plantio e 16% fazem isso de forma associada a atividades de beneficiamento, como desidratação e fracionamento. Outros 13% dedicam-se à dispensação de medicamentos fitoterápicos, industrializados ou manipulados em farmácias terceirizadas pelas Secretarias Municipais de Saúde. E 11% adotam a manipulação sem fazer o plantio.

CIÊNCIAS SOCIAIS E DA SAÚDE

Para Carlessi, o debate acadêmico em torno do mapeamento deve provocar questões como o encontro das ciências sociais e humanas com as ciências da saúde em projetos de pesquisa. A apresentação será acompanhada pela professora Raquel Regina Duarte Moreira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), integrante do grupo que coordena a implantação de Farmácia Viva no município de Araraquara (SP). Ela mostrará experiências com fitoterapia no interior paulista. Raquel Moreira integra uma rede de trabalhadores do SUS do Estado de São Paulo que tem se organizado para retomar e rediscutir a política de plantas medicinais, estimulados pelo projeto Repare, do ObservaPICS, que compartilha saberes em plantas medicinais e fitoterapia.

A participação do brasileiro na programação da Universidade de Sevilha atendeu a um convite da professora Ana Maria Quilez Guerreiro, do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Farmácia da Universidade de Sevilha. No próximo dia 26, Carlessi apresentará o mapa no Instituto Politécnico de Coimbra (Portugal), numa conversa com alunos do mestrado em Educação para a Saúde, a convite da professora Filomena Teixeira.