A  união de esforços entre o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIn) e a Rede MTCI Américas, com apoio da Bireme/Opas/OMS, gerou o  Mapa de evidências em Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) no contexto da Covid-19. Disponibiliza, de forma organizada, na internet, publicações referentes a possíveis contribuições das práticas integrativas na pandemia.

O material faz referência à imunidade e efeito antiviral contra vírus respiratórios, tratamento complementar de sintomas de infecções respiratórias, além de saúde mental em consequência do isolamento social, estresse laboral e situações de trauma. Nesta primeira versão, o mapeamento agrega 126 trabalhos científicos elaborados em diferentes países. As publicações estão classificadas em três grupos: revisões, estudos clínicos randomizados (em seres humanos e com grupo controle para comparações) e estudos clínicos não-randomizados.

Leia a quarta edição do Boletim Evidências

“O levantamento rápido de evidências foi realizado por 21 pesquisadores voluntários do CABSIn e da Rede MTCI Américas. Com a experiência prévia na elaboração de mapas de evidências consolidadas, quatro coordenadores desse grupo promoveram treinamento e acompanhamento das ações junto aos voluntários”, explica Mariana Cabral Schveitzer, membro do CABSIn e professora do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina, vinculada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Medicina chinesa e Covid-19

Sobre a Covid-19 propriamente foi selecionada uma revisão e mais dois estudos, todos publicados no primeiro trimestre de 2020 em destacados periódicos científicos. Um faz revisão geral, relatando as terapias experimentais convencionais em uso e o suporte oferecido aos pacientes graves. Uma segunda publicação relata tratamento de suporte e uso de antivirais contra o vírus da aids, associados a um medicamento contra influenza e combinação de ervas da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). O terceiro aborda potenciais benefícios da medicina chinesa no alívio de sintomas.

Há ainda estudos evidenciando resultados, com formulações diversas, para sintomas respiratórios presentes na Covid-19 (febre, dor no corpo, coriza e outros), dentre os quais, “revisões sobre a fitoterapia chinesa com achados relevantes para o manejo de sintomas em síndromes respiratórias agudas”, completam. “Dada a escassez de regimes fortemente baseados em evidências, os dados disponíveis sugerem que a medicina chinesa pode ser considerada uma opção terapêutica adjuvante no tratamento da Covid-19,” conclui.

O mapeamento reúne também publicações sobre práticas utilizadas no tratamento do estresse pós-traumático, fenômeno esperado em situação de pandemia e de isolamento social. Seis trabalhos destacaram o uso de práticas corporais, ioga, técnicas de meditação e acupuntura. Recursos da aromaterapia são descritos para a aplicação em casos de ansiedade, informam os organizadores do mapa.

Quanto à atividade antiviral e imunoestimulante, os organizadores chamam atenção “para uma revisão sistemática,apontando relevância do uso de probióticos na prevenção de agravos respiratórios em pacientes internados e melhora da condição imunológica evitando agravamento da doença”. Outra revisão, destacada  “demonstra que o uso de prebióticos (fibras não solúveis) e probióticos (reposição da flora intestinal) pode melhorar a eficiência de vacinas contra os vírus da família influenza, fator de grande relevância para pesquisas futuras”.Na categoria das plantas medicinais, há estudos clínicos sobre atividade imunoestimulante de Echinacea purpurea, Viscum album, fitoterapia chinesa individualizada e Wolfberry.

 

Referências

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Efeitos clínicos do probiótico Bifidobacterium Longum BB536 na função imunológica e na microbiota intestinal em pacientes idosos recebendo alimentação por sonda enteral

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