Um estudo preliminar abordando sintomas e medicamentos prevalentes do “gênio epidêmico” de Covid-19 foi divulgado pela Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB). Esse primeiro trabalho, considerado pela entidade ponto de partida para estudos clínicos e protocolos experimentais relacionados ao novo coronavírus, baseia-se em levantamento de casos brasileiros e analisa principalmente a fase inicial da doença. A AMHB criou um banco de dados para que os associados possam reunir manifestações clínicas de pacientes infectados pelo vírus.

A homeopatia considera o princípio da similitude curativa, com medicamentos que estimulam o organismo a reagir à doença. A escolha terapêutica considera a semelhança com o conjunto de sintomas característicos do doente e da enfermidade. O “gênio epidêmico” abrange justamente o conjunto de sinais peculiares à epidemia.

O estudo da AMHB sobre o gênio epidêmico de Covid-19 está disponível no site da entidade e também na página da Associação Paulista de Homeopatia. Uma comisão científica foi formada pela  Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB), assim chamada Covid-19 AMHB, para propor protocolos e estudo dos sintomas do “gênio epidêmico”. Essa comissão solicitou a médicos homeopatas relatos de casos de pacientes brasileiros portadores de Convid-19 laboratorialmente confirmados.

Associação médica homeopática cria comitê para estudar novo coronavírus

Rubens Dolce Filho, Rosana Ceribelli Nechar e Ariovaldo Ribeiro Filho, que assinam o documento, explicam na publicação que o objetivo do estudo piloto “é observar os sintomas característicos do primeiro estágio da doença para se chegar a medicamentos do “’gênio epidêmico’”. Os critérios de seleção nesse trabalho foram indivíduos adultos maiores de 18 anos, de ambos os sexos, naturais e residentes no Brasil, que apresentaram, pregressa ou no momento da coleta de sintomas, enfermidade respiratória aguda com diagnóstico laboratorial positivo para Covid-19. Ao todo  foram considerados 27 casos, anotados de 22 a 31 de março: pacientes na faixa de 25 a 70 anos, 63% do sexo feminino, sendo a maioria (25 deles) de São Paulo, um do Ceará e outro do Rio de Janeiro.

Fraqueza, febre e tosse seca

De acordo com o estudo, 81,5% estavam no primeiro estágio da doença, 18,5% relataram sinais do segundo estágio e um precisou ser observado em UTI, mas sem ventilação mecânica. Os sintomas mais mencionados foram indisposição/fadiga/astenia/fraqueza/cansaço, presente em  74%, febre (70%) e tosse seca (70%). Dor de cabeça, dispneia/respiração difícil e dor de garganta foram citadas por 52%, 37% e 33% dos pacientes, respectivamente. A pneumonia (19%) também esteve presente no grupo em segundo estágio da doença. A partir dos sintomas, foram discutidos cinco medicamentos relacionados.

Os autores lembram que ao longo da história a homeopatia demonstrou êxito diante de várias epidemias em diferentes países. Observam que os medicamentos listados  no relatório sobre o “gênio epidêmico” não devem ser considerados como definitivos: “há muitas variáveis que podem modificar a manifestação de uma epidemia numa população como, por exemplo, as ambientais, nutricionais, genéticas, faixa etária da população”. A carga gênica e a mutação do vírus também podem interferir, gerando sintomas diferentes, segundo os homeopatas. Esse trabalho preliminar exige protocolos científicos e estudos clínicos  que possam validar as informações, concluem.