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Medo, ansiedade, sintomas depressivos, sensação de impotência diante do desconhecido. De alguma forma esses sentimentos tornaram-se comuns na população mundial diante da pandemia do novo coronavírus, entre os que se isolam obrigatoriamente para se proteger dos  riscos de infecção e entre os que precisam estar na linha de frente do combate, nas unidades de saúde tentando salvar vidas ou em outras atividades essenciais, expondo-se ao vírus. Estudos  demonstraram em outras situações de adoecimento coletivo recente, como nas síndromes respiratórias por H1N1 e Ebola, por exemplo,  que a quarentena apresenta riscos à saúde mental, exigindo, então, um cuidado amplo e integral. O ObservaPICS dá sua contribuição diante do quadro emergente mundial, lançando a coleção Cuidado integral na Covid-19, sobre diferentes práticas integrativas e complementares com evidência de sucesso em cenários similares de sofrimento.

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“Diante de uma pandemia que obrigou quarentena mundial sem precedentes, torna-se fundamental fortalecer  o corpo, a mente e o emocional, para lidar com esse novo desafio, às vezes negligenciado nos aspectos sociais e emocionais durante e após a epidemia”, explica a pesquisadora Islândia Carvalho, coordenadora do ObservaPICS. Ela lembra que a Organização Pan-Americana (Opas) e o Ministério da Saúde recentemente lançaram campanha sobre o assunto . “E é  nesse sentido”, completa,  “que buscamos analisar as evidências e experiências acerca das  Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS)  que possam contribuir com o bem-estar, associadas à prevenção, promoção da saúde e ao tratamento biomédico”.

A terapia floral (TF) é uma dessas práticas, indicada para ajudar na estabilidade mental e emocional, tão necessária em situações como a vivida diante do risco de adoecimento mental coletivo. A TF abre a coleção Cuidado Integral na Covid-19, que o ObservaPICS está lançando para orientar, principalmente, profissionais de saúde com rotina de trabalho estressante e ampliado, que precisam de equilíbrio e fortalecimento físico, mental e emocional. Afinal, além de cuidar dos portadores do novo coronavírus e das populações que sofrem com os impactos da pandemia, lidam com o sofrimento pessoal, o distanciamento das suas famílias e perdas afetivas.

Outros cadernos serão lançados posteriormente, abordando práticas diferentes, sempre a partir da página especial PICS & Covid-19, do observatório, onde é possível também acessar conteúdos variados sobre a pandemia e as contribuições da saúde integrativa brasileira e mundial nesse contexto.

Terapia floral, um olhar ampliado para enfrentar o medo e controlar a ansiedade

OMS reconhece ação dos florais desde 1950

Reconhecida desde a década de 1950 pela Organização Mundial de Saúde, a terapia floral vem ajudando na reabilitação de pessoas em sofrimento emocional. É baseada, principalmente, no conhecimento desenvolvido pelo médico inglês Edward Bach, daí existirem os florais de Bach.

Formado na medicina convencional, o médico acabou se interessando por tratamentos mais naturais. Concebia a doença como resultado da desarmonia entre o corpo, a mente, a alma e a personalidade. E viu, no estudo das essências extraídas das flores, a possibilidade de ajudar os indivíduos a alcançarem essa harmonia. As pesquisas de Bach aconteceram nas primeiras décadas do século XX e, graças a elas, os florais começaram a ser usados em maior escala.

Evidências no Brasil

No Brasil, os florais integram as 29 práticas integrativas e complementares reconhecidas pelo Ministério da Saúde, com aplicação por várias equipes de saúde em diferentes municípios e unidades do SUS, além de  estarem incluídos em projetos de pesquisa e extensão de universidades públicas.

“Frente à pandemia de Covid-19, a TF pode diminuir o sofrimento”, explicam as pesquisadoras Carla Luzia França Araújo, professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ), Maria Júlia Paes da Silva, professora titular da Universidade de São Paulo (EEUSP), e Vanessa Damasceno Bastos, professora substituta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ). Elas assinam a publicação Terapia Floral: equilíbrio para emoções em tempo de pandemia, que abre a coletânea produzida especialmente para a página especial do ObservaPICS. “Pessoas deprimidas têm o seu sistema imunológico enfraquecido e, consequentemente, são mais suscetíveis ao contágio de doenças”, lembram.

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O documento produzido pelas três pesquisadoras reúne informações conceituais e faz uma revisão na literatura, considerando resultados de estudos publicados nos últimos 14 anos em periódicos científicos. Quatro deles são destacados: um sobre a experiência dos florais em gestantes, para alívio da dor e ansiedade durante o trabalho de parto, outro que investiga o efeito de quatro florais em pessoas ansiosas, um terceiro que aborda a terapia floral como alternativa ao tratamento de indivíduos com sequelas psicológicas decorrentes de violência familiar e um quarto que analisa a eficácia dos florais e de outras práticas no controle de sintomas na menopausa. Em complemento, o documento lista florais com a respectiva indicação, como exemplo do uso voltado ao equilíbrio físico, mental e emocional.

Carla Luzia, Maria Júlia e Vanessa lembram, com base em outros autores, que as essências florais não agem sobre a bioquímica do corpo, não substituindo alimentos e medicamentos. Também não interferem na ação dos remédios.   explicam.

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Uso durante a pandemia

Do ponto de vista prático, como usar a terapia floral na rotina dos profissionais de saúde diante da pandemia de Covid-19? “A recomendação é que equipes do SUS que  têm experiência com uso de TF possam oferecer  o suporte aos colegas que estão na linha de frente da assistência às vítimas do novo coronavírus, como também aos que atuam na atenção primária, lidando diretamente, nas comunidades, com a aflição das famílias”, esclarece  Islândia Carvalho, coordenadora do ObservaPICS. Profissionais interessados na terapia floral que não contam com esse tipo de atendimento na rede de saúde onde atuam poderão buscar grupos de apoio com oferta da terapia, a exemplo do que oferece a Rede Cuidar Enfermagem, apoiada pelo observatório.

  • Para leitura complementar
  • Brooks SK, Webster RK, Smith LE, Woodland L, Wessely S, Greenberg N, et al. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. Lancet. 2020;395:912-20
  • Ornell F, Schuch JB, Sordi AO, Kessler FHP. “Pandemic fear” and COVID-19: mental health burden and strategies. Braz J Psychiatry. Forthcoming 2020
  • Campanha Saúde Mental https://www.paho.org/bra/

 

ObservaPICS lança página especial sobre Covid-19 e práticas integrativas