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A experiência tradicional na Bolívia antes e durante a pandemia

O Ministério da Saúde da Bolívia lançou em 2021 um guia de medicina tradicional para abordagens na pandemia de Covid-19. A diretora de Medicina Tradicional (MT) no ministério, Vivian Camacho (na foto à direita), explica que diante da crise sanitária estabelecida com a chegada da doença ao país, o uso de plantas medicinais e de outros produtos naturais tradicionais foi um recurso complementar adotado pela população. O governo, então, estabeleceu normas de utilização desses recursos terapêuticos tanto na prevenção, complemento do tratamento e da reabilitação de pacientes acometidos pelo novo coronavírus.

“O uso da medicina tradicional contribuiu na prevenção, controle e apoio aos tratamentos durante a pandemia, diminuindo os efeitos devastadores”, afirma Camacho. Segundo ela, esse diálogo entre saberes ancestrais de povos originários e o sistema de saúde já vinha acontecendo no país. “A característica principal da MT é manter o uso de práticas realizadas com plantas medicinais e rituais orientados por guias espirituais, parteiras e outros terapeutas naturais reconhecidos por comunidades indígenas e afro-bolivianas”, completa.

A Constituição Federal daquele país reconhece como patrimônio cultural o conhecimento dos povos indígenas, que deve ser respeitado e protegido. O Estado, de acordo com a legislação vigente, tem o papel de garantir a articulação entre o sistema de saúde e a medicina tradicional.

O guia para abordagens na Covid-19 traz o marco normativo, lista ações de educação da população e lista plantas que podem ser usadas em diferentes medidas complementares ao controle da pandemia: da desinfecção de mãos à reabilitação física, passando por alívio dos sintomas.

“Na medicina tradicional se empregam métodos terapêuticos como complemento ao tratamento e recuperação dos efeitos da pandemia. Os produtos naturais são uma opção coadjuvante no tratamento da Covid-19 na prevenção de doença respiratória e desinfecção de mãos. Também há alimentos naturais com nutrientes que fortalecem o sistema imunológico”, explica a publicação.

Martha Villar Pópez, Live Rede MTCI/2022.

Povos originários nas Américas

Segundo o documento Impacto da Covid-19 nos Povos Indígenas da Região das Américas: Perspectivas e Oportunidades, publicado em 30 de outubro de 2020 pela Organização Pan-Americana de Saúde, “a Região das Américas caracteriza-se por sua riqueza multiétnica e multicultural: aproximadamente 54,8 milhões de pessoas indígenas habitam a América Latina e o Caribe, e 7,6 milhões, a América do Norte”.

A Opas/OMS chamou a atenção dos Estados da região para “oferecer recomendações gerais de políticas públicas que contribuam para prevenir, controlar e reduzir a transmissão da doença nessas populações e em seus territórios a partir de um enfoque étnico e intercultural.” Essa preocupação vem mesmo de antes da pandemia de Covid-19.