A Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CNPIC/MS) acaba de lançar mais dois números da coleção de informes sobre evidências clínicas de diferentes práticas. Dessa vez, aborda estudos relacionados à aplicabilidade das PICS como tratamento complementar nos transtornos alimentares e na insônia. As duas novas publicações, em formato digital, estão disponíveis a partir deste site e também estão sendo enviadas para as coordenações ou referências técnicas na área de cada estado, para disseminação aos municípios.

“Damos continuidade ao trabalho de consolidação das sínteses elaboradas pela Fiocruz Brasília e dos Mapas de Evidências produzidos numa parceria do Bireme/OMS/Opas com o Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSin), todos acerca das PICS”, explica Daniel Amado, coordenador da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Os informes, segundo ele, traduzem, numa linguagem clara para gestores e outros profissionais do SUS, os resultados significativos dos levantamentos que consideram publicações científicas nacionais e internacionais.

Os dois últimos números mantêm o olhar para saúde mental, diante das necessidades epidemiológicas da população brasileira, evidenciadas antes e principalmente durante a pandemia de Covid-19.

TRANSTORNOS ALIMENTARES

“Os transtornos alimentares (TAs) se caracterizam por padrões de comportamentos alimentares nocivos e inadequados que podem afetar tanto o consumo como a absorção dos alimentos. Apresentam etiologia multifatorial, com participação de componentes biológicos, genéticos, psicológicos, socioculturais e familiares. Os TAs mais comuns são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar periódica”, explica o Informe Nº4, dedicado ao tema.

Conforme a publicação, a maior incidência dos transtornos alimentares ocorre entre mulheres, na faixa de oito casos a cada 100 mil indivíduos por ano. Entre os homens, a estimativa é de menos de 0,5 caso por 100 mil indivíduos anualmente.

“Em relação às evidências em PICS encontradas para os TAs, estudos apontam a meditação (mindfulness) como uma prática potente para intervenções de mudança de comportamento alimentar e está apoiada em evidências de que a prática de meditação (mindfulness) pode ser um contribuinte importante para mudanças positivas em indivíduos com transtornos alimentares”, esclarece o informe da CNPIC/MS. O documento indica publicações sobre o tema abordando benefícios da meditação.

INSÔNIA

O Informe Nº 5 trata de um problema bastante comum na população e que pode ter assumido níveis mais exacerbados durante a pandemia de Covid-19. “Estudos transversais estimam uma prevalência de insônia entre 10 e 50% dos usuários da Atenção Primária à Saúde. Apenas 10% das pessoas com insônia apresentam esta perturbação como causa primária. A maior prevalência da insônia, 30 a 50%, está associada aos transtornos de humor e de ansiedade”,  descreve o documento, retratando uma situação da rotina dos brasileiros . De acordo com a publicação, “algumas pessoas apresentam maior tendência à insônia” e outras, “quando expostas a condições de estresse, doenças ou mudança de hábitos”, desenvolvem dificuldade para dormir esporadicamente.

A contribuição das práticas integrativas é mais diversificada nesse caso. “Evidências científicas de alto grau metodológico demonstram que algumas PICS como acupuntura, auriculoterapia, fitoterapia, meditação, Práticas Meditativas e Corporais da Medicina Tradicional Chinesa, shantala e yoga possuem eficácia no tratamento de crianças, adolescentes e adultos com insônia, especialmente na melhoria da qualidade do sono”, diz o informe.  A acupuntura e a auriculoterapia têm mostrado “efeito positivo e eficaz mesmo comparado a alguns medicamentos para o tratamento de insônia, principalmente para indivíduos com histórico de dor crônica e Acidente Vascular Cerebral (AVC)”, explica.  Uma das publicações sugeridas mostra os resultados nesse público.

Outro apoio comprovado é o da fitoterapia, como “auxiliar na indução e melhoria da qualidade do sono”. Evidência sugere “que o extrato da raiz da Valeriana (Valeriana officinalis) pode induzir o sono e melhorar a qualidade do sono sem produzir efeitos colaterais”. O Informe também destaca resultados coma Melissa officinalis (Lemon Balm) e outros significativos com tai chi  (foto/ObservaPICS)  e yoga.

Leia os informes na íntegra:

Informe_Evidências 4_Transtornos Alimentares- CNPIC/MS

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Informe_Evidncias 5_Insônia- CNPIC/MS

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Informes técnicos orientam sobre evidências das práticas em apoio ao cuidado em doenças crônicas