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O que define ser uma prática integrativa? Qual a sua efetividade? Quais são suas bases? O quanto ela promove a autonomia dos sujeitos? Está conectada com o contexto de vida dos usuários, necessidades e interesses do SUS? Está aberta a um diálogo multidisciplinar e multicultural? Ou atrelada a um modelo essencialmente biomédico? Perguntas como essas podem ajudar a medir resultados do uso de PICS nos serviços do SUS, orientou a pesquisadora da Fiocruz Islândia Carvalho, coordenadora do ObservaPICS, ao debater os desafios de implementação das práticas integrativas em mesa do III CongrePICS no último sábado (4/9).

Ela destacou que “os modelos de avaliação de políticas e avaliação clínica podem contribuir para uma análise complexa que vise a qualidade do cuidado e sua segurança”. Segundo a coordenadora do ObservaPICS (foto abaixo), “é necessário e urgente estarmos abertos a diferentes perspectivas”.

De acordo com a pesquisadora, tem sido desafiador medir os resultados de intervenções individuais e coletivas com PICS porque cada profissional responsável por uma prática registra suas percepções de forma particular. “Isso ficou muito claro no último inquérito realizado em 2016, no qual avaliamos os resultados a partir de informações presentes nos prontuários”, observou. Entre os problemas detectados na análise das fichas dos usuários de unidades de saúde, Islândia aponta a descrição de caso sem os acompanhamentos da evolução.

OBJETO E CONTEXTO

A pesquisadora da Fiocruz chamou atenção também, nos estudos sobre resultados,  para a importância de delimitar o objeto, no caso, a prática integrativa, e o contexto em que são realizadas. “No Brasil, as PICS estão inseridas na Atenção Primária em Saúde (APS) do SUS. A cada município ou equipe, mesmo quando se tratam de práticas idênticas, o uso é diferenciado, também em razão do contexto, e isso interfere no resultado”, explicou.

A mesa sobre os desafios na implementação das PICS reuniu, além da coordenadora do ObservaPICS, Emílio Telesi Júnior, coordenador das PICS em São Paulo; Marco Antônio de Moraes, vice-presidente do CongrePICS, e Gelza Nunes, diretora do Consórcio Acadêmico Brasileiro em Saúde Integrativa (CABSIn), sob mediação de Rafael Dall Alba, consultor técnico de Doenças Crônicas Não Transmissíveis para Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).